Publicação de arquivo (13 de novembro de 2016). Datas, horários e contactos referem-se a essa altura. Ver a agenda actual.

(de homenagem ao Maçariku – sessão III)

Em parceria com a CASA DA ACHADA/CENTRO MÁRIO DIONÍSIO

Vai ser exibido na CASA AMARELA, na próxima Terça-feira, dia 15 de Novembro pelas 21,30 horas o filme

“ O HOMEM DA CÂMARA DE FILMAR”
Com realização, argumentação e montagem de DZIGA VERTOV

Assistente de montagem: Elizaveta Svilova operador: Mikhail Kaufman Música: A musica original e de Konstantin Listov. Produção: Vufku Duração: 68 minutos URSS 1929

Do Genérico:

... registo em película, 6 bobines, produção Vufku, 1929, extracto do diário de bordo de um operador de cinematografo. A atenção dos espectadores. O filme que vão ver e uma experiência de difusão cinematográfica de cenas visuais. Sem recurso aos inter-títulos, sem recurso a um argumento, sem recurso ao teatro. Esta obra experimental tem como finalidade criar uma linguagem cinematográfica absoluta e universal completamente liberta da linguagem teatral ou literária ...

sou um olho / um olho mecânico / eu, ou seja a máquina, sou a máquina que vos mostra o mundo como só ela o pode ver / daqui em diante ficarei liberto da imobilidade humana / estou em perpétuo movimento / aproximo-me das coisas, afasto-me delas / Meto-me debaixo delas, entro nelas / desloco-me até ao focinho do cavalo de corrida / atravesso as multidões a toda a velocidade, chego à frente dos soldados no assalto, levanto voo com os aeroplanos, deito-me de costas, caio e levanto-me ao mesmo tempo que os corpos caem e se levantam… é isso que sou, uma máquina andando às voltas com manobras caóticas, registando os movimentos uns atrás dos outros, juntando-os numa confusão. liberta das fronteiras do tempo e do espaço, organizo como desejo cada ponto do universo. a minha via é a duma nova concepção do mundo. faço-vos descobrir o mundo que vocês não conhecem. o cinema dramático é o ópio do povo.

(do manifesto de 1923)

O cartaz feito para o HOMEM DA CÂMARA DE FILMAR, do cineasta soviético Dziga Vertov, quer resumir a energia do mundo moderno: arranha-céus, as pernas e os braços duma bailarina, uma espiral que evoca uma maquina de filmar ou uma helice de aviao. Um corpo fragmentado, como o do ≪torso≫. Para Vertov, o cinema não e uma arte que conta historias. E um acto que liga todas as acções que compõem o comunismo como forma de vida. A montagem separa as acções do seu contexto, torna-as equivalentes, reduze-as a um ritmo comum. As autoridades soviéticas condenarão este comunismo artístico dizendo que e formalismo. Quererão filmes que distraiam os trabalhadores. A ideia de que a arte constrói formas de vida foi no entanto o coração da modernidade artística. O que foi esquecido quando se redefiniu o modernismo pela autonomia das obras e voltando a mandar a arte para o museu.
JACQUES RANCIÉRE

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